quarta-feira, outubro 21, 2009


QUATRO RODAS

Tem um carro pra eu usar aqui em baixo. E minha bunda cabe direitinho nele. O carro é enorme. E nem vou suar bicas neste calor baianissimo porque o carro tem um ar condicionado geladéssimo. As mãos não vou doer, nem vou sacrificar os braços pra estacionar porque tem direção hidráulica. Aliás, tem aquelas coisas todas elétricas, eletrônicas e eletrotônicas. Fecha a porta automaticamente, apaga a luz automaticamente, abre o capô automaticamente, troca o pneu automaticamente e to seriamente desconfiada que chama homem automaticamente. Fato é que gordolouco não sai de casa pra nada. No cinema não dá, porque a cadeira aperta. No shopping não dá porque andar cansa e sobe a pressão - ou baixa, como no meu caso. No restaurante nem entra porque não tem dinheiro pra pagar a astronômica conta. Andar um pouco pela Avenida Sete vai levá-lo à exaustão. Ir a praia requer o uso de um maillot. Ou uma lona de circo por cima do corpo. E fora isso o gordo tem que ir. Como ir? Não dá pra ir! Gordo não tem como ir! [Deus tava com muita raiva quando fez o gordo] Mas e agora o que que eu faço se tenho um carro? Tenho que emagrecer. Andar de carro emagrece? .




terça-feira, outubro 20, 2009


LEEEENNNNNTAMMMMEEEEEEEENTE

A gente engorda de repente. De um dia pro outro. Pior. Acorda gorda. Nem precisa olhar no espelho. A gente sente. "Tô gorda". E está. É a história do "Hoje eu acordei gorda". Daí pra frente só piora. Vai engordando cada vez mais. É descrito em livro e não adianta a gente negar. Há casos em que a negação adianta, não nesse. Como tudo nesse caso, vai piorar. Quanto mais vc negar que está gordalouca, mais gordalouca vai ficar e mais todo mundo vai notar. O bracinho que já deixou de ser bracinho faz tempo, mas que ainda se parecia com braço de nadadora, vai virar mesmo o braço da nona da Móoca. A bunda, que até bem pouco tempo parecia a da negra que sobe gingando a ladeira do Pelô, já tá igual a da baiana do acarajé sentada no tamburete - quando ela levantar você vai ver que tô certa. O carinha que não te olhava porque você tava meio passada pra idade dele, agora te ignora porque você pode adernar o veleiro dele - e além do mais não vai ter onde você fazer cocô porque tua bunda não cabe no banheiro do barco que é enorme... diga-se de passagem. Enfim, é aquela hora que você nota que a celulite que sempre existiu na tua coxa se expandiu também para o braço, depois de passar pela barriga, e que o tratamento pra ela não presta, porque o que você ainda consegue manter duro na perna são os nódulos de gordura, e se tirar, tudo cai. Este é um momento de decisão. Um momento definitivo para o resto da tua vida. Agora você resolve se: 1). Fica velha, magra e flácida 2). Fica velha, gorda e flácida. 3.) Morre [porque viva, flácida todas vamos ficar]




domingo, outubro 04, 2009


18

Tô Cheia. Tipo assim cheia de tudo. De sorvete e de gente. Também tô cheia de banha, ca-la-ro. E essa merda de alguma forma compensa o que falta. E falta tudo: dinheiro, amigos, namorado, amante, mãe, pai, o irmão tá longe, falta emprego e cachorro porque graças a São Franciso eu tenho um bichano branco aqui grudado-no mesmo lugar de sempre, entre o monitor e o teclado do computador do lado de um balde de café com leite.
É pra desistir. De tudo. De emagrecer, de ter dinheiro e amigos. De ficar linda. De ser mais feliz. Porque esse negócio de gordolouco é muito verdade... por exemplo: eu não sou infeliz. Não sou mesmo. Sou assim. Meio bicho do mato meio baladeira. Meio platéia última fila meio palco. Muito mais bicho do mato, é verdade. Por aqui, porque viajando não. Aí saio, passeio, ando a pé, nem fome tenho. Acho que eu não gosto mesmo é de dar bom dia. Ou boa tarde. Ou boa noite. Acho que não gosto mesmo de pessoas. De gente eu gosto. Mas só me bato por ai com pessoas. Sem identidade. Sem verdade. E tô até aqui de mentira.
Eu ainda quero sorvete. Ainda quero ficar magra. Não vou desistir de nada não.
Quero quero e quero montão de coisa. Difícil é fazer alguma coisa pra conseguir. .
Agora tô tentando fazer aquela última dieta da minha vida pela 18 vez. Desta vez consigo! A dieta não tem novidade nehuma não. Até tem... mas pouca coisa... Mas que foi feita pra gordolouco foi!
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a pausa:
gordolouco é assim: levanta do computador pra ir pegar outro balde de café com leite e enquanto a água esquenta para o café solúvel e o leite desnatado come uma uva, duas, três, cinco; uma ameixa amarga; abre a geladeira come um polenguinho, dois; pega um kani, dois; abre uma lata de coca-cola diet e... ouve o barulho da água fervendo para o café...
o fim da pausa
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Amanhã vou começar essa fase. A 18. Porque hoje é domingo. Se bem que antes eu queria cortar o cabelo e segunda o salão não abre. Mas posso ficar magra de cabelo comprido. Aliás, magra posso qualquer coisa. Até ser magralouca.
BS: não vou escrever mais no Divinas. Elas não me compreendem. São magras.